quarta-feira, 11 de junho de 2008

Lago da Alma




Lago da Alma

Enquanto caminhava levemente sobre as folhas caídas das árvores
Deparei-me com um lago rodeado de terreno verdejante
Encontrei as costas desnudas de uma mulher, a sua pele mais fria que todos os mármores
Olhei a sua figura e perdi-me na sua pele e desejei que fôssemos amantes.

Nesse lago vi nascer o Sol, enquanto o vento frio acariciava a pele de uma mulher perdida
Vi a água oscilar e a vida dela brotar,
Toquei a minha alma e senti-a perdida.

Fui tocado pela dúvida, uma carícia mórbida que me cegou,
Caí de joelhos, sem saber o que me esperava,
E, ali, num lago desconhecido, a morte me deixou.
Me deixou viver e ao contrário do que eu pensava,
O toque gélido da dúvida a minha ferida sarava
Os meus joelhos dobrou,
Mas a alma curava.

O anjo humano à minha frente apareceu e facilmente me hipnotizou
Os seus olhos pérolas desaparecidas,
Os seus cabelos uma dor que ficou,
Pérolas que me abriram a alma e viram as minhas mágoas perdidas.

O anjo acariciou-me, mas o seu toque era tão gélido quanto o da dúvida.
A minha barba encrespada raspou a sua pele sedosa
E senti uma sensação maravilhosa.

O frio que me esventrava cuidadosamente
Vinha dos seus dedos enregelados,
Como uma sensação estranha de um frio ardente
De dois seres mal amados.

A minha visão regressou e as estrelas olhavam o meu corpo inerte curiosamente.
As estrelas eram os seus muitos olhos brilhantes
Olhavam a minha alma aberta maternalmente
E as gotas de chuva vinham do céu e eram as suas lágrimas cintilantes.

A minha pele foi atingida pela água suave,
O anjo desaparecera, mas a sua rocha estava ainda presente.
O meu corpo reage, levanta-se, quer que a minha mente não o trave
Mas a minha mente recusa e o corpo pára bruscamente.

Olhei à minha volta, a floresta estava escura,
O mundo que me rodeava era tão silencioso
E a verdade que o silêncio trazia era dura
Apesar de quem a trazer ser um vento melodioso.


O anjo estava perdido, na alma de um ser,
Pertencia ao passado e à alma
Ninguém o podia ter.
Mas teria de ter calma…

O anjo nunca mais o vi,
Apenas as lembranças dos seus olhos, atormentadores dos meus momentos de tristeza.
Mas o seu toque gélido senti
E ele sempre afastou essa minha fraqueza.

Uma fraqueza humana, claro está,
Comum a muitos, mas o ser humano é capaz de tudo
E apesar de saber lá no fundo que o anjo nunca mais encontrar vá,
Visto o meu manto de Sol e agasalho-me bem e não mudo.

O Inverno chegou ao lago cristalino.
As suas águas gelaram
E chegou um felino,
Que os homens outrora magoaram

Era uma mensagem da minha alma:
Que o lago me era agora interdito,
Que devia manter a calma
E recusar qualquer atrito…

Um jovem acordou na sua cama, o suor escorrendo pelo seu corpo cansado e dorido.
Era a sua vez de sonhar...e a imaginação ninguém lhe podia roubar...


De novo da minha autoria.
Em tempos, deu-me para isto...

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