quarta-feira, 11 de junho de 2008

Simples rabisco poético, não esperem grande coisa





Vagueio, pouco ciente do que me rodeia
Vagueio, por não saber ter direcção
Perdi-me nos caminhos dúbios que alargaram as minhas escolhas
Perdi-me, pela incerteza de poder escolher acertadamente

Houve um dia, algures no Passado, em que pude olhar em volta e ter confiança
Mas tu, com os teus orbes verdes e cabelo castanho tudo deitaste por terra
Tu, com o teu perfume, enfeitiçaste-me a alma
Simplesmente Tu, diabolicamente naive, destruíste o que havia em mim de inocente

Tentei, desesperadamente, fugir da tua sombra
Mas nunca foste uma sombra.
Tentei fugir e esquecer o que lançaste na minha vida,
Mas tudo o que tenhas lançado foi aceite por mim.
Hoje, algures dentro de mim, temo que outros me provoquem o mesmo que Tu.
Hoje, mais que nunca, espero que tudo se repita.
Amanhã, talvez, libertar-me-ei um pouco do teu ser impregnado em mim
Amanhã, talvez, morrerei uma vez mais para o mundo

Inocente e cobardemente, saíste da minha vida
Inocente e cobardemente, lançaste o caos no ténue ser que já era.
Davas-me alento, fogo de viver.
Davas-me uma razão para estar vivo e respirar.
Mas não. Já não. Quando o fim me tocou, percebi que não respirava realmente.
Era uma respiração condicionada, uma escolha irreflectida.


Hoje, sei melhor, que na altura não pensei a direito.
Hoje, sei melhor, que não repetiria nada.
Mas sei, também, que afinal o ódio escoou.
Ficou simplesmente a pena.
A pena, pois tudo o resto voou...




Yours Trully.
Foi apenas um rabisco que me apanhou de surpresa quando a mão agarrou a caneta e a caneta beijou languemente o papel.
Devaneios de um escritor não publicado...

Lago da Alma




Lago da Alma

Enquanto caminhava levemente sobre as folhas caídas das árvores
Deparei-me com um lago rodeado de terreno verdejante
Encontrei as costas desnudas de uma mulher, a sua pele mais fria que todos os mármores
Olhei a sua figura e perdi-me na sua pele e desejei que fôssemos amantes.

Nesse lago vi nascer o Sol, enquanto o vento frio acariciava a pele de uma mulher perdida
Vi a água oscilar e a vida dela brotar,
Toquei a minha alma e senti-a perdida.

Fui tocado pela dúvida, uma carícia mórbida que me cegou,
Caí de joelhos, sem saber o que me esperava,
E, ali, num lago desconhecido, a morte me deixou.
Me deixou viver e ao contrário do que eu pensava,
O toque gélido da dúvida a minha ferida sarava
Os meus joelhos dobrou,
Mas a alma curava.

O anjo humano à minha frente apareceu e facilmente me hipnotizou
Os seus olhos pérolas desaparecidas,
Os seus cabelos uma dor que ficou,
Pérolas que me abriram a alma e viram as minhas mágoas perdidas.

O anjo acariciou-me, mas o seu toque era tão gélido quanto o da dúvida.
A minha barba encrespada raspou a sua pele sedosa
E senti uma sensação maravilhosa.

O frio que me esventrava cuidadosamente
Vinha dos seus dedos enregelados,
Como uma sensação estranha de um frio ardente
De dois seres mal amados.

A minha visão regressou e as estrelas olhavam o meu corpo inerte curiosamente.
As estrelas eram os seus muitos olhos brilhantes
Olhavam a minha alma aberta maternalmente
E as gotas de chuva vinham do céu e eram as suas lágrimas cintilantes.

A minha pele foi atingida pela água suave,
O anjo desaparecera, mas a sua rocha estava ainda presente.
O meu corpo reage, levanta-se, quer que a minha mente não o trave
Mas a minha mente recusa e o corpo pára bruscamente.

Olhei à minha volta, a floresta estava escura,
O mundo que me rodeava era tão silencioso
E a verdade que o silêncio trazia era dura
Apesar de quem a trazer ser um vento melodioso.


O anjo estava perdido, na alma de um ser,
Pertencia ao passado e à alma
Ninguém o podia ter.
Mas teria de ter calma…

O anjo nunca mais o vi,
Apenas as lembranças dos seus olhos, atormentadores dos meus momentos de tristeza.
Mas o seu toque gélido senti
E ele sempre afastou essa minha fraqueza.

Uma fraqueza humana, claro está,
Comum a muitos, mas o ser humano é capaz de tudo
E apesar de saber lá no fundo que o anjo nunca mais encontrar vá,
Visto o meu manto de Sol e agasalho-me bem e não mudo.

O Inverno chegou ao lago cristalino.
As suas águas gelaram
E chegou um felino,
Que os homens outrora magoaram

Era uma mensagem da minha alma:
Que o lago me era agora interdito,
Que devia manter a calma
E recusar qualquer atrito…

Um jovem acordou na sua cama, o suor escorrendo pelo seu corpo cansado e dorido.
Era a sua vez de sonhar...e a imaginação ninguém lhe podia roubar...


De novo da minha autoria.
Em tempos, deu-me para isto...

Ode a Viriato




Ode a Viriato


Ó que vontade
Que desejo
Que obsessão
Querer esquecer o Passado
E remoer, revoltado
Originando esta estranha sensação

Difuso; simples
Objectivo, concreto
Rio, evito as lágrimas
Volto a rir e fecho-me em copas.
Antes copas que paus,
Malditas espadas que me atravessam
Apesar de pobre odeiam-me, se ao
Menos tivesse ouros.

Um à vontade
Uma raiva
No fundo…Ufa!
Uma libertação.
Anseio, esqueço,
Relembro, dando um passeio.
Longo, perdido,
Maldito e enfastiante .

Que tédio,
Que amor,
Que revolta,
Pessoa, Camões, palavras,
Poesia, numa sintáctica escolta.

Feios, ó sim,
Feio, claro que não, Espelho diz-me cá,
Qual é a sensação

Ai que dor,
Regressa o tédio…
Volta em mim, bolas…
Esquece a merda do pudor
Diz, fala livremente, sem remédio

Libertação verbal,
Ejaculação literária!
Característica Outonal,
Que modorra extraordinária!

Deito-me, não durmo,
Levanto-me, lá vem o sono.
Desengonçado, mas rápido,
Estranho e com olheiras…

Que dor de novo
Maldita correria!
Esta vida tão perra,
Mas desce, quem diria?

Um corrimão,
Uma aventura
Os cinco?
Talvez noutra altura.

Dura e dura,
Sempre latejante
Chegou a altura
De sair de rompante.

Um guerreiro
Um valente
Um letreiro
Tão premente

Maldito sejas!
Um grito.
Onde quer que estejas,
Um proscrito

Abandonado,
Revoltado
Uma única peça
Num tabuleiro vazio.

Raios, maldito,
Que sentimento tardio
Uma rima, engraçado,
Esforça-se por sair,
Que saia e me deixe varado!

Porca, badalhoca,
Um riso forçadamente meu!
Vem a piada que não me choca,
E lembrar-me do…pigmeu…

Que miséria artística, que vontade de ser mais algo
Je ne sais quoi,
Je ne comprends pas…
Este cómica de situação que é a vida.

Rima estranha, estranha mente.
Caeiro, Reis, Campos,
No fundo Fernando.
Fragmentado, iludido
Magoado e… Ai Campos, que pervertido!

Malditos sejam todos vós,
Saúdo-vos, mas parcamente!
Sim, sou difuso e pertenço a
Um grupo de toda a gente.

Que é certo?
Que é Deus?
Será chuva?
Será vento?
Chuva no Verão, Vento de Famalicão
Um cão, canídeo,
Mórbida cinorexia.

Afagia, Psicologia, larga pneumonia.
Larga ou forte?
Depende da analogia.

Saúdo-te guerreiro,
Encontrei a alegria!
Festejai, festejai
Pois não durará todo o dia!

Ai, que críticas,
Formigam nas vossas mentes
Mentes? Minto.
Fernão Mendes Pinto.
Pinto, Darwin, uma evolução.

Será Chuva?
Será Vento?
Ai, larga-me maldito pensamento!
Afasta-te, uma praga te rogo!
Maldito, foge!
Ou irei atrás de ti mais logo.

Logo que agora não,
Ai não que tenho que fazer!
Sim, trabalho, mas só para inglês ver.

Estudo, compilo,
Compilo ou sem pilo?
Apito, comboio,
Um vermelho ostracismo.
Trotskista, Leninista,

Um nazi de pele vermelha
Mas será?
Depende.
Será chuva ou vento?
Ditadura do proletariado
Fascismo e camisas negras.
Correm-me as correntes do Sado
Nestes olhos que me estão a doer de te ver…

Dor, que dor!
Maldita, voltou.
Camões, Camões
O teu olho, Camões?
Fugiu, desertou?
Desertou, vindo de ti?
Saudava-te outrora
E agora faço que nem te vi!

Heróis do Mar
(poluído, sim)
Nobre Povo
(no seu interesse, sim)
Nação Valente
(menos com a morte de frente)
Será chuva, será gente…

Ó pá, esquece os Direitos,
As Economias, as Finanças
Os benditos médicos salvadores
Aborta, aborta, essa questão moral.
Eutanásia da alma
Aborto fora de tempo
E talvez mesmo pós-laboral
Maldito, regressas
E eu que me vejo a mãos com mais um contratempo.

Ergue essa espada,
Mostra esse músculo
Sim, é o que se quer!
Músculo e beleza
Com toda a certeza!

Maldito, pêga! Não tu, a outra
Aborta ou ejacula, de uma vez
Deita tudo cá para fora.

Vivo ou morto?
Chuva ou gente?

Maldito sejas, vives e estás morto
Não me olhes, pois tenho o sentimento torto.

Forçado, sim
Sexo? Violação!
Se forçado for, a Igreja diz que não!
Não forces, alicia, é o que todos fazem..
Se é decente
Ah, pagas portagem!

Pela via do Inferno
Vais andar sobre brasas
Sou triste?
Ou isso ou magoado.
Sou louco?
Ando à chuva!
Sabe-me a pouco
Esta liberdade confusa.
Difusa, obtusa
Visão de se ver o mundo
Maldita, voltas?
Sacana do Adamastor.
Aborta, aborta, essa ideia de caridade
Só diminuiria os impostos!
Mas...eia! Diz a Igreja que dá à tua alma
Liberdade.
Acredites ou não…
Eu não, por isso pira-te
Não quero ouvir o teu senão
Por favor, retira-te.

Educado agora fiquei,
Calmo e reservado.
Mas tenho Tourette
Sê mal-educado

Começo agora,
A ver o mundo
De forma diferente
Vejo-o agora…Sim!
De forma absorvente.

Que educado fiquei,
De repente nada mais sei dizer.
Carpe Diem? Certamente.
Mas um novo ser eu não sei ser.

Não percebes?
Sou assim,
Conivente.
Não sabes que quer dizer?
Pois tu e toda a gente.
Ou talvez não! Talvez não seja chuva.
Ou talvez sim!
Talvez seja vento!
Seja o que for, eu não
Quero saber.

Vai-te embora, deixa-me
Não te quero ver
Mexes comigo, mexes.
Isso é certo e sabido
Mas mexes mal e porcamente,
Mexes mal
E tudo o que sabes sobre mim é por ouvido.

Forçado? Não tenho sentimentos forçados!
Apenas englobo numa frase um pensamento Passado.

Ai, que maldito, vai-te!
De uma vez, duas ou três.

Mal e porcamente.
Parva, badalhoca…
Isto não é para ninguém,
E é para toda a gente.

Ubi Solitudinem Faciunt Pacem Appellant


Da autoria deste vosso bloguista que se apresenta como escritor (não publicado) em repouso.
Quase concluído um primeiro livro de fantasia épica, decerto demasiado extenso para aqui ser postado. Todavia, deixar-vos-ei, decerto também, outros poemas da minha autoria.

Europe - A Prophecy de William Blake


Europe - A Prophecy

by William Blake, British Poet





`Five windows light the cavern'd Man: thro' one he breathes the air;Thro' one hears music of the spheres; thro' one the Eternal VineFlourishes, that he may receive the grapes; thro' one can lookAnd see small portions of the Eternal World that ever groweth;Thro' one himself pass out what time he please, but he will not;For stolen joys are sweet, and bread eaten in secret pleasant.'


So sang a Fairy, mocking, as he sat on a streak'd tulip,Thinking none saw him: when he ceas'd I started from the trees,And caught him in my hat, as boys knock down a butterfly.`How know you this,' said I, `small Sir? where did you learn this song?'Seeing himself in my possession, thus he answer'd me:`My Master, I am yours! command me, for I must obey.'


`Then tell me, what is the Material World, and is it dead?'He, laughing, answer'd: `I will write a book on leaves of flowers,If you will feed me on love-thoughts, and give me now and thenA cup of sparkling poetic fancies; so, when I am tipsy,I'll sing to you to this soft lute, and show you all aliveThe World, when every particle of dust breathes forth its joy.'


I took him home in my warm bosom: as we went alongWild flowers I gatherèd; and he show'd me each Eternal Flower:He laugh'd aloud to see them whimper because they were pluck'd.They hover'd round me like a cloud of incense. When I cameInto my parlour and sat down, and took my pen to write,My Fairy sat upon the table, and dictated EUROPE.





Alma Utópica 3

Gritei, implorei, rolei e a minha carne magoei. Cheguei ao meu areal, sob as estrelas cintilantes. Despi-me e na água salgada gelada me perdi, água cujas lágrimas me abraçaram. Chorei, perdi-me na imensidão do mar, as minhas lágrimas nadaram até aos confins daquele mundo desconhecido. A minha carne salguei, mas a minha lama recusou-se.Lamentos de alguém magoado, ferido, a ferros incandescentes marcado. Saí do mar feito de água para o areal de areia. A minha pele tocou a áspera superfície e de novo me deitei, olhando as estrelas. Amanheceu, entardeceu e de novo anoiteceu. Um dia, vinte e quatro horas, passados a tratar da carne. A noite. O sal. Despi-me de novo e na água voltei a mergulhar. A carne salguei, mas a alma com o sal queimei. Gritei, desesperado, a dor física insignificante para com a humana. A água abandonei, triste e magoado, atento À ferida da carne adormecida pelo gelo do mar. Lágrimas geladas desciam pelo meu corpo ao luar. Lágrimas de um choro sem Íris. Um som, movimento. Visto-me, corro, persigo. Da orla do meu areal de areia um vulto, duas Íris verdes. Congelo, ajoelho, prostro-me. Uma mulher, jovem, mas uma mulher. Salvei e perdi, nadei, salguei e recuperei. Sozinho nunca mais, a mim jurei. Deitámo-nos, olhando as estrelas. Que sensação. Naquela noite estrelada nada cruzou os céus, porque a estrela mais brilhante estava deiada a meu lado. Adormeci, sentindo o perfume do mar... Acordei. Sobressaltei-me. A areia a meu lado. Vazia. Marcadas nos grãos de areia negra estavam as formas de uma mulher divina. Desejei ser areia, para sentir o corpo do amor. Desejei ser água para invadir a areia e moldá-la. Despi-me e mergulhei. De novo salguei a carne, gemi e dorido permaneci. Sequei-me. Vesti-me. Olhei o horizonte, escurecendo as minhas Íris com as palpebras pesadas que tremiam como o ritmo do mar. Utopia, ouvi as ondas sibilarem. Abri as Íris. Um toque, leve, um sorriso, palavras. Comida. Fome. Sobrevivência. Um desafio. Nadar? Recusa. Não sabe. Como pode uma sereia não nadar e uma deusa não voar. Percorremos o areal negro. Corri. Corremos. Saltei. Saltámos. Caí. Caímos. Abracei. Abraçámo-nos. Um beijo, um toque suave. Intensidade. Paixão. Duas línguas. Calor, frio. Um toque sôfrego. Gelei e tive calor. Tremi, de medo e frio. Transpirei, de calor e paixão. Rolámos pela areia, o sol observando-nos e passámos o resto do dia perdidos um no outro, percorrendo o areal negro que se esticava perante nós, indómavel, por desbravar. Vencido pelo mar, venci a areia. Acompanhado, desbravei a imensidão que me separava daquela triste Utopia, as minhas Íris, presas em dois orbes verdes brilhantes...

Alma Utópica 2

Nunca a água fora tão fresca, o vento tão fustigantemente gelado, o ar tão respirável, o areal tão negro, as ondas tão ruidosas. Caminhando pelo areal negro mantinha a minha Íris fechada, pensativo, cambaleante, desconexo e perdido, caminhando subjectivamente por terras desconhecidas. Semper fie o mar ondulava à minha volta. Mergulhei, sem tristeza. Gelei, estrebuchei, sufoquei, lutei, afoguei-me e morri. Morri, fui para o céu e voltei. Morri, fui para o céu e regressei. Morri, fui para o céu e não aprendi nada de novo. Morri e reacordei. Morri e não renasci. Soergui-me, inspirei e fui penetrado pelo ar salgado. Envolvi-me num langue beijo benevolente com o mar. Lutámos, a dor de um humano perdido contra a de um mar ignorado. Perdi, as lágrimas de sal do mar vencendo as de um humano sozinho e alheado da realidade abstracta. Vagueei, triste, incompleto, abandonado de forma quase tão Utópica quanto a sociedade que temia. Desconhecendo o que me rodeava há já algum tempo decidi, com força de origem desconhecida, conhecer o que não tinha nada de novo para conhecer. Cambaleei alegremente para trás, parecendo em overdose salgada. Remei com os pés, desbravei a areia que se interpunha entre mim e a Utopia. Morri a cada passo, ganhei vida a cada fôlego. Vivi para contar cada metro e cheguei à cidade que me assustara. Acordei, abruptamente. Encontrei o medo, a solidão, a tristeza maior. Chorei, fugi, berrei e voltei a caminhar. De volta ao meu areal, sem perigo, sem desconhecido. Vencido, pensei. Pensei e evoluí. No dia seguinte tentei de novo, aproximei-me sorrateiramente de um edifício e vi, surpreendido, uma rapariga da minha idade acorrentada a um corvo cego. Acorri, preocupado, saltei, matei e libertei. Senti-me importante, pelo menos até receber uma joelhada possante nas virilhas. Fiquei cego. Gemi e chorei silenciosamente. Arrastei-me até à porta e fui capaz de abandonar o recinto Utopicamente triste sem mais flagelos físicos.

Alma Utópica 1

Enquanto permanecia deitado a observar o céu obscuro povoado de estrelas e constelações um cometa cruzou os céus. No pouco tempo que o vislumbrei consegui ver cores várias, entre o magenta e o azul claro, entre o negro e o amarelo. O cometa que cruzava os céus fez-me pensar na vida. Na vida e na sua subsequente morte, com todos os problemas que viver implicava, com todos os problemas em cessar essa vida. Queria ser como o poeta, que pensava mas não sentia, ou queria ser como a ceifeira, que sentia mas não pensava. Preferi, no meio do areal vulcânico, aceitar a opinião de Pessoa: Ser feliz e pensar ao mesmo tempo. Pergunto-me muitas vezes que sentido tem esta vida que nos dá tantos desafios. E pergunto-me tantas outras vezes como seria a vida sem estes desafios. Passei grande parte daquela noite estrelada a observar o céu, à falta de melhor para fazer no meu campo de areia negra. Sem nada para me distrair abstraí-me de tudo e comecei a pensar no que o Passado havia guardado de mim. Adormeci, afundando-me nas ondas indomáveis de uma vida conturbada, nos remoinhos que me fizeram rodar em torno dos mesmos problemas tantas vezes, hoje pensando, vezes em demasia, até. Acordei, o sol batendo na minha cara, o som das ondas chicoteando a praia. Olhei o céu. As estrelas já não se viam. Agora só estava uma estrela, a maior de todas. Levantei-me lentamente, esticando o meu torpe corpo. O que vi fez a Íris deste vosso Pecador alargar-se como nunca o fizera. Estava no meu areal, mas não estava no mesmo planeta. Não acordara, pensei eu, não passava de um sonho estranho. Uma cidade crescia em altitude, banhada pelo mar. Corajosamente, ou por falta de razões para ter medo, encaminhei-me para a alta cidade. O que vi abismou-me. A sociedade daquele monumento social era perfeita, sem erros, sem a menor falha, por mínima que fosse. Senti então medo, um medo primitivo do desconhecido, de chegar a um local e de não ter alguém que partilhasse esse medo comigo. Um amigo, talvez, uma companheira, alguém, até uma qualquer fonte de ódio, uma pessoa de quem não gostasse, mas a quem me pudesse aliar contra o desconhecido. Nada encontrei além do desconhecido. Ninguém me rodeava, ninguém se via ou ouvia. Era a automatização. Havia ordem, progresso, perfeição, no fundo uma Utopia, mas faltava o mesmo que faltava à minha alma...A Felicidade. Foi então que vi as primeiras formas de vida. Iguais a mim, três homens e quatro mulheres passaram, num passo sombrio pela minha expressão abismada. Olhei-os com interesse, a minha Íris de Pecador obsevando e absorvendo todos os pormenores possíveis. Nem me olharam de lado. Não havia desdém, ainda bem, mas dava-se também a inexistência de um qualquer interesse. Fugi daquele antro da indiferença, assustado com a forma impessoal como por mim haviam passado. Procurei o meu areal negro. Para minha infelicidade, não o encontrei. Encostei-me a uma parede de um alto prédio e deixei, de forma langue, lenta, devastada e ignorada, a minha Íris fechar-se, escondendo-me na escuridão que me protegia daquela cidade Utopicamente triste.

Porcupine Tree






I have this Porcupine Tree,
This Porcupine Tree inside of me.

Volvido o tempo que não passou, esqueço-me na hora de relembrar.
Encontrado o objecto que perdurou, sento-me e encosto-me a pensar.

Penso no que já vivi.
Melhor.... No que já sofri.

Mas este blog não é apenas de sofrimento. É de vida. Sim, é de sofrimento. Mas, atenção, também é de vida! E de morte. E de vida. E de algo mais... A little bit more.

E do quê? De vida. De morte. De tristeza. E de tudo. E de nada. Do maravilhoso mundo neo-automatizante e do retro-funk dos camaradas. Faz sentido? Não, não faz.
Deveria fazer sentido, é mais o que se deveriam estar a perguntar, na verdade. Não, não devia. Mas podia. Até que devia, mas não faz.

Confundir. É o que faço? Não, sou claro, apenas preciso que estejam atentos.
Iludir. É o que faço? Sim, muito honestamente, sim.

Brinco com as palavras, tal como Platão sou irreverente e com sentido de humor. Pode ser um sentido de humor diferente do vosso, mas não deixa de ser um sentido de humor.

Despeço-me, por agora, com um grande bem haja.
Pode nem sempre haver, é certo. Resta saber é o quê.
ENcontrem-se, agora, por entre estas iniciais palavras labirínticas.
A partir de agora o caminho é sempre a descer. Vai melhorar.

Vai melhorar...

On top of the Porcupine Tree,
All I see is me.
Being the Porcupine Tree,
Is what really frees me.