sábado, 25 de abril de 2009

Uma daquelas semanas


Fado da sina
Letra e música - Amadeu do Vale / Jaime Mendes

Reza-te a sina nas linhas traçadas na palma da mão,
Que duas vidas se encontram cruzadas no teu coração.
Sinal de amargura, de dor e tortura, de esperança perdida,
Destino marcado de amor destroçado na linha da vida.

E mais se reza na linha do amor que terá de sofrer
O desencanto ou leve dispor de uma outra mulher.
Já que a má sorte assim quis, a tua sina te diz...
Que até morrer, terás de ser, sempre infeliz.

Não podes fugir, ao negro fado mortal,
Ao teu destino fatal,
Que uma má estrela domina.
Tu podes mentir às leis do teu coração,
Mas (ai!...) quer queiras quer não,
Tens de cumprir a tua sina.

Cruzando a estrada na linha da vida traçada na mão,
Tens uma cruz à feição mal contida, que foi uma ilusão:
Amor que em segredo, nasceu quase a medo, p’ra teu sofrimento,
E foi essa imagem a grata miragem do teu pensamento.

E mais ainda te reza o destino que tens de amargar,
Que a tua estrela de brilho divino deixou de brilhar...
Estrela que Deus te marcou, mas que bem pouco brilhou
E cuja luz, aos pés da cruz, já se apagou.
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Porque esta foi uma daquelas semanas . . .

segunda-feira, 6 de abril de 2009

Linha Verde - Estação Terminal ?

Páscoa.
De forma breve: WTF?

Uma desculpa para afogar as mágoas em chocolate num frenesim neo-diabético. É muito divertido, mas daqui a uns anos vai começar a doer, rapaziada.

Já eu não preciso de desculpas nem de coelhos cor-de-rosa- amaricados com um cestinho de verga preso ao braço para me afogar em chocolate, gelados, semi-frios, etc, etc.

Não engordo, independentemente do que coma, o que é óptimo para fazer inveja às jovens fãs de morangos com açúcar e rebelde way que padecem de inexistência de anorexia, mas que acreditam piamente na sua...erm...existência, no fundo.

Um dia destes, durante a tarde, a minha Mãe convenceu-me a acompanhá-la ao Rossio, porque queria comprar umas loicinhas e outras mariquices domésticas (lol). Pela primeira vez em semanas o meu Pai tinha trabalho para fazer (tinha?) portanto lá fui, meio contrariado, meio à espera de ver moçoilas jeitosas pelo caminho (que a idade não perdoa, e a solteirice também não).

Desenganem-se desde já, não vi nenhuma ao meu gosto. De manhã por acaso vi, mas isso é para outro devaneio. Lá fui, guiando a minha figura maternal pelo metro, qual cega pedinte, sim, porque até os velhinhos que pedem no metro de olhos fechados e cantam musiquinhas parvas conhecem melhor o Metropolitano do que a minha Mãe -.-'

Anyway, lá fui eu, all sunshine and flowers (hã?) e até que foi uma tarde bem passada com a Senhora minha Mãe. Houve foi um problema: quando trocámos no Campo Grande da linha Amarela para a linha Verde, tive o supremo azar de ficar na carruagem que tinha três fãs de Tokyo Hotel, ou, como diria um amigo, os Rabio Hotel, atravessando monções alemãs (na alemanha quando vem a chuva, é sinal que tá tudo fod...), enquanto gritam Schrei de forma....

Bem, antes de eu me aperceber desta óbvia malformação congénito-cerebral (de novo: hã?) ia encostado a uma das portas com a Senhora minha Mãe ao lado e nisto ponho-me, atrás da segurança visual dos meus óculos-escuros, a olhar para a única rapariga do trio. Quem lê este blog com assiduidade (loucos, só pode...) sabe que gosto de mulheres com personalidade.

É um facto que não consigo mudar, seja isso bom ou mau, ainda não consegui perceber.

A rapariga não era propriamente gira e digo isto não por distinguir entre bonitas e feias, mas sim por ter um gosto em termos de beleza feminina geralmente diferente da maioria dos homens. Era baixa, relativamente bem feita, de cara era "banal", mas tinha aquele "fogo" que eu gosto. Portanto comecei a ouvir a conversa deles. E dizia ela:

- " Ah, da última vez que cá vieram dei-lhe um fio, uma pulseira e uns brincos."

Disse um dos seus amigos estranhos:

- " E quanto é que isso custou tudo?"

Responde ela com cara de quem considera o valor banal:

- " Mil, mil e tal euros."

Os dois amigos estranhos entreolham-se.

Continuo a ouvir e ela refere várias vezes o nome Bill. Olho para um dos amigos dela. Botas com solas do tamanho de um guaxinim adulto, calças roxas bastante apertadas, ao ponto de asfixiarem os testículos (quais testículos? ali nem uma agulha cabia), correntes e cintos a penderem do cinto e a darem a volta às pernas, camisola de manga curta (vulgo t-shirt) preta com uns desenhos aos quais não prestei atenção, vinte correntes e fiozinhos à volta do pescoço, cinco pulseiras em cada pulso, um anel em cada um dos cinco dedos e, no fim, para rematar a coisa, salvo seja, um cabelinho à fodass (disse uma asneira, vou arder no inferno, mau eu...) com uma popa a descair sobre um dos olhos, popoa essa que ele afastava do olho (salvo seja de novo) de forma teatral (to say the least....). O outro amigo era simplesmente um paneleiro gordo com dois piercings no lábio inferior. Continuando... (vá, riam-se lá da diferença de descrição que eu fiz, uma enorme e a outra a despachar, uma (nada) objectiva e a outra simplesmente uma falta de respeito). Não tenho culpa que um seja fácil de descrever e o outro mereça honras de Estado.

No final, apercebo-me que a tal rapariga tem unhas de gel do tamanho da pilinha anorética do/da Bill e que move o cabelo da mesma forma teatral que o seu amigo/amiga/coisa estranha que nunca cheguei a perceber.

Chegado ao Rossio, vejo-me rodeado de ciganas na adolescência com uma certa coisa aos saltos.

Um dia bem passado, fora as coisas estranhas que vi. E ainda dizem que nos EUA é que há todo o tipo de pessoas diferentes e alternativas. Chegado ao fim deste post sem qualquer tipo de nexo ou fio condutor óbvio (sim, porque ele está lá, vocês têm é de ser muito inteligentes para o encontrarem...ou então assumirem rapidamente que eu fui preguiçoso e me apeteceu apenas falar de um fã de Rabio Hotel e generalizar dizendo que os odeio a todos!!!) tenho a dizer que tenho muito mais confiança quando saio de casa. Confiança no facto de ter uma aparência perfeitamente banal, aborrecida, comum e absolutamente sem qualquer tipo de estilo. Sim, porque de estilo percebem aqueles gajos alemães que formam um grupo chamado Tokyo Hotel (será Tokyo na Alemanha? Confundo sempre, é engraçado...hã?), aqueles gajos alemães que pelos vistos têm monções na Alemanha...

Resta-me dizer que:

- Alguns fãs das ... coisas ... têm demasiado dinheiro (eles não, os paizinhos) e demasiado pouco cérebro;

- Não sou homofóbico, pelo contrário. Apenas não gosto de bichas, porque contra homossexuais não tenho mesmo nada contra e tenho amigos assumidos que não me incomodam absolutamente nada.

- Faz-me mais confusão um fã de Tokyo Hotel do que propriamente... Faz-me confusão haver "pessoas" que gostam...daquilo. Depois disto nada me faz confusão, sinceramente. Bom, talvez fãs de Lordi. Ou de Marco Paulo. Oh well...

P.S. - A viagem de regresso não foi engraçada e não havia moçoilas, portanto vou suprimir essa parte. Resta-me, portanto, continuar a ser solteiro. Aliás, estes posts sem nexo devem-se ao facto de estar solteiro. Há ligações entre neurónios que não estão a ser efectuadas de forma normal. Mas... o que é a normalidade? Cada um distinguirá normal de anormal consoante a sua própria perspectiva ou consoante a perspectiva que lhe é dada pela vida em sociedade? De facto, o que é a sociedade? Porque escolhemos viver em sociedade, no início da existência humana? Já agora, teremos mesmo escolhido, ou foi-nos imposto por um líder antigo que viu que era simplesmente a forma mais benéfica? Resta-me continuar com os meus devaneios delirantes, resta-me continuar a questionar e resta-me mostrar coisas de uma forma, quando realmente as vejo de outra. Resta-vos, portanto, ver com olhos de ver. Ver e não simplesmente olhar. Resta-vos ler e reler, até perceber ou julgar perceber. Resta-vos esperar.