segunda-feira, 2 de novembro de 2009

"Poema": Miopia do Amor/Ódio

Depressão do dia:

Que sentimento é este,

Confuso, difuso e que me tornou obtuso?!

Alheio, vagueio, em busca do Norte,

Desorientado, prostrado, procuro a minha Sorte.

Este merujar nevrálgico,

Este calor interno nostálgico

Que sentimento é este,

Que me deixa, esfomeado, tão saturado?!

Que sentimento é este?

Que confusão és esta?

Para que lado fica Este?

Minha bússula emocional,

Meu compasso sentimental,

Tornas-me tão básico,

Tornas-me tão banal ...

Pelo olhar manchado,

Que pela tua face desce,

Curas a ferida aberto que tinha sarado,

Enquanto o sentimento cresce.

Que sentimento desconhecido é este?

Tu que anseias, lutas, regateias.

Tu que bradas aos céus por atenção.

Eu que ergo, de papel, ameias,

Que protejam as fundações do meu já fraco coração.

Despojas-me de qualquer amor,

Sentimento, Paixão.

Não só meu, mas alheio,

Matas qualquer pretensão.

Chega, basta, acaba!

De uma vez, é suficiente.

Antes que a Caixa de Pandora se abra

(Pois) Aquilo que fazes deixaria qualquer um demente.

Não bastava, tão somente,

Teres morto o poeta mendicante!

Pois tinhas de o arrastar, andrajoso, morto e suplicante

Pela Corte do Rei Midas, o do toque negro, reluzente

O da dor, o da riqueza, o da luz ofuscante.

Pois basta, já chega, dois beijinhos e um adeus!

Toma agora o mundo, que cada um trata dos seus.

Neste navio, ancorado e deserto, capitaneio o vazio.

Nessa feira, viva e colorida, sê feliz, lanço-te o desafio!

Portentosa e fria, deslocas-te pela calada,

Pois o que queres é o olhar e não o toque da madrugada.

Mata-o, agora, que aqui jaz de peito aberto.

Mas tu preferes a tortura e

De ilusões enches o teu deserto.

Não mais caminharei, nesse lago de ar rarefeito

Toma os amores, toma-os, por inteiro!

Destrói este lar, deixa-o desfeito.

Se não por gula, por orgulho, paixão ou dinheiro,

Então por fome, arrogância, falsidade ou atenção de terceiro.

São teus para tomar, moldar e destruir,

Mas sem competição, sei-o, não tens mais razão para sentir.

Do que gostas, sei-o bem,

Dessa melodia dedicada a ti:

“I bet you think this song is about you, don’t you, don’t you?!”

Rasteja, farta, a de cabelo encaracolado.

Não me vejo só eu irritado, destruído, prostrado.

A todos a “coisa” farta.

Rasteja, querida, sobre o meu corpo estendido.

Estou cansado, admito, e há muito que deixei de estar enamorado.

Guia-me, pequena, por este caminho de pedras, sinuoso,

Uns constroem castelos,

Para que outros os destruam.

Que gozo!

Morto o poeta e estando seca a fonte, resta ainda o enterro.

De fúnebre não tem nada, esta enfadada cerimónia,

Está morto, o morto?, desmente-se o erro,

Agradeço, agradecido, pela minha coveira idónea.

Morto e bem morto, enterrado e homenageado já

Esse homem adolecente, criança sem sonhos do que já está.

Canaliza-te, túnel de luz, para a etapa seguinte,

Pois as dores do corpo passaram,

Não são mais que dor ausente.

Do outro lado, já me espera, a luz reencarnada,

Mas para mim é vermelha,

Esta dor dissimulada.

Dói como dor que se preze, desde o osso à cartilagem,

Sou mortal e apercebo-me finalmente disso,

Pois terminei esta minha viagem.

Chegará um dia, sei-o, em que abandonarei este corpo férreo,

Libertar-me-ei das pretensões e desejos que de mim desejam,

Serei também eu, com esta representação física de mim mesmo, alimento térreo,

E enquanto me olham, parto, desço,desapareço e esqueço, não posso, com certeza, afirmar que alguns fraquejam.

Eu, Lúcifer, te abro as portas,

Eu, Deus, te julgo.

Pois eu prefiro ser recebido pela faca obviamente escondida,

Que pelo julgador barbudo e reformado.

Todos os dias da minha existência, trabalho para que me julguem pelo trabalho feito.

Trabalhasse eu 6 dias e a mãe que supostamente me haveis dado, logo me deixaria desfeito.

Por isso aqui juro, muito herege, ou talvez não,

Quando o meu corpo descer à terra,

Por favor não lho entreguem, não!

Posso ser socialista, ateu e preguiçoso,

Mas sou inteligente e penso! – Isso sim é delicioso!

Enviais-me, de forma célere, para este poço de intriga,

Mas não somos como as nossas próprias criações em que facilmente se desliga.

O amor, o carinho, a preocupação,

O ódio, a tristeza, a destabilização.

Não corrijo esta miopia, pois gosto de não ver, vendo.

Mas odeio esta dor que, ao doer, fica doendo.

Pois esta tristeza, ainda que não pareça, faz parte de mim.

E até essa Natureza, arrancaste deste perdido serafim.

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Não estou muito interessado no facto de gostarem ou não, tinha algo cá dentro que tinha de ser transformado em palavras e este foi o resultado, so...

Enjoy. Or not.

1 comentário:

Musa disse...

pronto, estava eu a contruir toda uma argumentação muito poderosa, lógica e irrefutável para te esfregar na cara, por mais que negasses até à morte, que havia elfos em chamas aqui pelo meio...e tu fazes-me uma referência óbvia?!!
"bai cagare!"
:) "guia-me pequena"
não sei se percebi bem esta.
"la la la , la la" *